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J.Catarina terá 'Carnaval Raiz' e LIGA SG projeta a volta do Carnaval gonçalense ao pódio

Organização promove concurso de fantasia para grupos. Turmas podem se apresentar em palco do bairro

Atualizado em 11/02/2026 às 15:02, por Samara Oliveira e Pitter Mendes.

Colagem de fotos de Carnavais no Jardim Catarina

De sábado(14) a terça-feira de Carnaval (17) diversas atrações irão se apresentar entre 18h e 00h no palco localizado em frente à Praça da Lona Cultural Lídia Maria da Silva

São Gonçalo terá dois Carnavais este ano: O “Carnaval Raiz” e o "Carnaval LIGA SG”. O Carnaval Raiz é uma proposta descentralizada que acontece em sete bairros de São Gonçalo, incluindo Jardim Catarina, além de: Trindade, Pacheco, Santa Catarina, Jardim Alcântara, Itaúna e Porto da Pedra. “Com esse formato, o Carnaval Raiz garante que todos tenham acesso à festa, sem a necessidade de se deslocar para grandes centros”, informa o site oficial da Prefeitura de São Gonçalo. 

De sábado(14) a terça-feira de Carnaval (17), bandas, DJs, baterias de escolas de samba e grupos de pagode irão se apresentar entre 18h e 00h no palco localizado na Rua Dr. Albino Imparato, em frente à Praça da Lona Cultural Lídia Maria da Silva. Antes das atrações nos palcos, o Carnaval Raiz vai realizar matinês com recreação e brincadeiras para as crianças na segunda (16), a partir das 17h. 

De 21 a 23 de abril acontece o Carnaval LIGA SG – O Carnaval da Retomada, com desfiles das escolas de samba de São Gonçalo, enredos, alegorias e shows, em local ainda a ser divulgado. Segundo Tiago Daniel, diretor financeiro e de projetos da LIGA, a celebração será um marco para a cidade após dez anos sem Carnaval. 

“A gente voltou com o Carnaval que tava 10 anos parado. Desde 2015, o Carnaval não existia na cidade de São Gonçalo. A Liga de São Gonçalo tem o objetivo de trazer as escolas de samba de novo a gerar renda, a gerar emprego, a gerar economia criativa”, conta. 

Tiago também explica que a LIGA SG tem como objetivo recolocar São Gonçalo no pódio dos melhores carnavais, chamando atenção para os talentos locais, que hoje acabam indo para escolas e festas de outras cidades. 

“A ideia é que esse projeto possa tornar o Carnaval das escolas de São Gonçalo um dos dez maiores do Brasil até 2030. São Gonçalo exporta sambistas para outros carnavais do país e do mundo. Quando a gente olha para o Carnaval de Niterói ou do Rio, vemos que há uma grande mão de obra que surgiu aqui, mas que acaba indo embora, porque crescem ou por falta de oportunidade de fazer cultura na própria cidade”, comenta. 

Reconhecimento e valorização do Carnaval de rua: concurso das turmas de fantasias

Além do Carnaval fora de época, a LIGA SG não fica de fora do festejo tradicional. Com o apoio da Secretaria de Turismo e Cultura de São Gonçalo, a organização carnavalesca promove também o concurso cultural do Carnaval Raiz de São Gonçalo 2026 com o objetivo de valorizar grupos que fazem o Carnaval acontecer nas ruas: as Turmas de Fantasias. 

Os interessados devem se inscrever, escolher até 3 três palcos da cidade para se apresentarem e no final, todos os participantes recebem troféu de reconhecimento da LIGA SG. As apresentações ocorrem entre os dias 14 e 17 de fevereiro. O link de inscrição e o regulamento estão disponíveis no perfil @ligasgcarnaval, no Instagram. 

Não há competição, pontuação ou disputa. Segundo o Instagram oficial da Liga SG, o objetivo é fortalecer a cultura, a tradição e a ocupação do Carnaval de rua por quem o faz.  

Memórias do Carnaval no Jardim Catarina 

A população do Jardim Catarina, há bastante tempo, curtia carnavais impulsionados por blocos de rua organizados. Um dos mais antigos ainda em atividade é o Esperancinha — ou, como alguns o chamam, Bloco do Vermelho e Branco. Ele teve sua origem em um time de futebol chamado "As 11 Piranhas", que participava de torneios nos campos da Baixada.  

No início da década de 2000, surgiram outros grupos que abalariam as estruturas do bairro em fevereiro. O famoso e tradicional bloco "Chupa chupa mas não baba, é mole mas é meu" desfilava sempre no domingo antes do Carnaval, contando com trio elétrico, banda e caminhões que vendiam cerveja a preços populares. Em seguida, surgiu o Bloco da Cobra Cega, que além da cerveja também a baixo custo, contava com o apoio da extinta escola de samba local, a Boêmios do Jardim Catarina, a agremiação campeã do Carnaval Gonçalense de 2014.  

O Cobra Cega também premiava as melhores fantasias entre os foliões. Esses eventos arrastavam mais de 4 mil pessoas pelas avenidas Santa Catarina e Albino Imparato. Famílias, crianças e idosos participavam de todo o percurso, além da grande quantidade de homens fantasiados de "piranha”.  

Os organizadores contratavam carros-pipa para refrescar o público, além de garantirem segurança e caipirinha gratuita. O comércio local também se beneficiava, pois bares e lanchonetes acolhiam os foliões ao longo do trajeto, enquanto outros moradores esperavam nas esquinas para se juntar à folia. 

Quinho Américo, de 63 anos, ex-presidente do Grêmio Recreativo Escola de Samba Boêmios do Jardim Catarina, também fala sobre a “fábrica de talentos” que São Gonçalo e o Jardim Catarina representam para o mundo do Carnaval. 

“Tem pessoas nossas que foram aqui da Boêmios do Jardim Catarina, que são ritmistas da Viradouro, da Porto da Pedra, da União de Maricá. Nós temos várias pessoas que saíram daqui da Boêmios do Jardim Catarina que despontaram por aí. Então, o que ficou para a gente foi o aprendizado”, relembra Quinho que ficou à frente da escola por 9 anos, passando depois o posto para Januir Vargas.

No primeiro desfile da agremiação, o enredo foi dedicado à história do Jardim Catarina, abordando o processo de formação do bairro e homenageando seus moradores mais antigos, com o objetivo de preservar a memória e valorizar as origens do território.

Segundo Quinho, Cintya Santos, atual porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira, também já foi porta-bandeira da escola de samba do Jardim Catarina. Além disso, ele conta que três modelos fotográficas com carreira internacional iniciaram seus trajetos ainda dentro da Boêmios.

Apaixonado pelo Carnaval, Quinho afirma que aprendeu muito com a agremiação e, embora lamente não estar atuando atualmente em uma escola de samba do território onde vive, conta que aplica todo esse aprendizado na União de Maricá, escola da qual participa hoje como convidado.

Todo esse histórico demonstra que os moradores do Jardim Catarina sempre valorizaram e participaram ativamente da festa carnavalesca, desde que tiveram acesso e oportunidade de vivenciar esse período de celebração em seu próprio território.